Monogamia (Casamento) – Por Ana Bock

A monogamia surgiu para controlar a sexualidade das mulheres
A monogamia surgiu para controlar a sexualidade das mulheres

A tradição se impõe porque é uma herança dos antepassados. (…) Quando se passam muitas gerações e a regra estabelecida perde essa referência de origem (o grupo de antepassados), dizemos, então, que essa regra social foi institucionalizada. A monogamia — o casamento somente entre duas pessoas — pode ser considerada uma instituição. Essa regra social – casamento monogâmico- foi institucionalizada devido a perda do referencial de origem (grupos de antepassados) dessa tradição. É sabido que as sociedades primitivas não a conheciam. Os casamentos eram poligâmicos. A monogamia surge, então, na Grécia antiga e no Oriente Médio com o estabelecimento da propriedade privada e a descoberta da paternidade biológica. Entre os povos primitivos, o papel de pai era atribuído ao irmão materno mais velho; as famílias eram matrilineares (baseadas na linhagem materna) e, provavelmente, imperava o matriarcado. No início do modo de produção escravagista da organização social antiga (como foi o caso da Grécia), o surgimento das cidades, da propriedade privada e a descoberta da paternidade biológica colocavam o homem da época diante de uma questão: a herança. As pessoas (no caso, os homens) que acumulavam riquezas durante sua vida não tinham para quem deixá-las. A família paterlinear e o casamento monogâmico foi a forma de organização encontrada que definia, claramente, uma maneira de perpetuar a propriedade através da herança. O filho passou a ser o herdeiro dos bens paternos. Para isso, estes homens proprietários passaram a estabelecer, como regra, que suas mulheres deveriam manter relações sexuais somente com eles próprios (em função da descoberta do funcionamento da paternidade biológica) e, assim, teriam certeza de que o filho lhes pertencia. Hoje, qualquer pessoa de nossa sociedade ocidental, se questionada sobre a monogamia, dirá que o casamento se dá desta forma porque “é natural”. Curiosamente, ainda hoje temos culturas, como a muçulmana, que não adotam a monogamia como regra e, apesar dessa evidência contrária, alguém de nossa cultura continuará considerando a monogamia natural. A este fenômeno chamamos de instituição.

Trecho retirado do livro “Psicologias – Uma introdução ao estudo de psicologia”, Capítulo 15: “Psicologia institucional e processo grupal”.

Ana Bock é psicóloga e presidente do Conselho Federal de Psicologia.

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2 comentários sobre “Monogamia (Casamento) – Por Ana Bock

  1. Acho que você se equivocou, na verdade se contradisse ao dizer do casamento poligâmico de muçulmanos e relacionar com o homem prendendo a mulher no casamento cristão…
    Entendi muito bem o conteúdo que quis passar, bom texto.

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