Esclarecendo Pontos Sobre o RLi

"Sem liberdade não é amor - RLi-SP"
“Sem liberdade não é amor – RLi-SP”

(Por Carol Marques)

Me identifico como pessoa não-monogâmica que vivencia relações livres e sei que no meio de muita informação truncada são ditas coisas como se fossem “regras padrão” das relações livres que não correspondem à realidade. Esse texto é para esclarecer as confusões mais comuns, mas ele pode ser atualizado e melhorado caso surjam outros desentendimentos a serem sanados.

1. “O RLi cabe dentro do conceito do poliamor?” – Cabe, mas cabe porque esse conceito de poliamor é extremamente amplo, abarcando desde polifidelidade até relações sem regras pré-determinadas. O RLi, ao contrário tem definições éticas e políticas bem claras, não é qualquer relação não-monogâmica que envolva amor que poderá ser entendida como relação livre.

2. O RLi é feminista por princípio e essência, ele visa colaborar para a libertação sexual e emocional da mulher, uma vez que os homens cisgêneros heterossexuais sempre tiveram essa liberdade e autonomia garantidas.

3. “RLi são apenas relações sem vínculo” – Isto é mentira, pessoas RLi mantêm relacionamentos com vínculos muito fortes e duradouros, embora possam ter relações sem vínculo também.

4. O RLi é contra acordos que se estabeleçam como forma de coibir a liberdade e autonomia dx outrx. Acordos comuns em relações poli como a mulher (bi) só poder ficar com outras mulheres, preferencialmente acompanhada do companheiro (hétero) são entendidos como cláusulas machistas que colocam a sexualidade da mulher a serviço do companheiro, bem como os famosos “caçadores de unicórnios” (casais que buscam uma terceira pessoa para se relacionar efetiva e/ou sexualmente, mas apenas com os dois juntos). A relação pode ou não ter acordos se as partes assim desejarem, mas é mantido um alerta sobre acordos limitadores de liberdade e autonomia, que coloquem a vontade de uma das pessoas da relação sob controle de outras.

5. “RLi é contra você morar junto de quem você ama” – Isto também não é verdade. O RLi é contra a instituição do casamento, o amor romântico e a família nuclear, que constituem a base da sociedade burguesa capitalista e também da opressão à mulher, relegando-a ao espaço doméstico, subalterna ao homem. Diversas pessoas RLi moram com companheirxs e isso não é nem nunca foi um problema.

6. “RLi proíbe a expressão pública de afeto entre companheirxs” – Isso é absurdo e totalmente descabido, expressões sinceras de afeto jamais seriam condenadas. Manifestações que visem “demarcar território” sobre parceirxs, especialmente de homens sobre suas companheiras mulheres, como formas a inibir outrxs de uma aproximação, são vistas como possessivas e machistas.

7. “RLi prega o individualismo” – O movimento prega a autonomia, que é uma condição de não dependência entre as partes que se relacionam. Essa autonomia é voltada principalmente às mulheres, para que não se vejam presas a relacionamentos por não terem condições de se manter sozinhas ou por uma profunda dependência emocional. A dependência financeira é o principal fator para mulheres permanecerem em relações abusivas, daí esta autonomia ser tão incentivada. O companheirismo nos relacionamentos é essencial, inclusive para se auxiliar x parceirx a sair de uma situação de dependência emocional ou ajudar para q elx nunca entre nesta situação. Se querer livre é também querer livre aos outros.

8. “RLi tem caráter neoliberal” – Fico na dúvida se esse tipo de afirmação que algumas pessoas fazem resulta de falta de entendimento ou de má fé (tendo a crer este último). O RLi é declaradamente anticapitalista, buscando uma liberdade coletiva, e não liberal.

O RLi não tem um livrinho de regras de conduta, tem princípios éticos bem definidos que visam a liberdade coletiva, em especial a liberdade e autonomia da mulher, dentro dos grupos, atitudes machistas e discriminatórias não são aceitas sob hipótese nenhuma, o que incomoda muitos tipos conhecidos por nós como “machos libres”, que tentam se utilizar dos grupos como cardápio de fodas grátis, ignorando totalmente a autonomia das mulheres e objetificando-as.

Por último, já vi (homens cis hétero) acusarem grupos RLi de terem uma postura misândrica, por não aceitarem que eles se coloquem da forma que bem entendem nestes espaços. Misandria não existe, não é uma opressão social, isso faz tanto sentido quanto racismo reverso e heterofobia. Misandria no máximo é falta de paciência com macho besta que não aceita ser repreendido em espaços feministas (e todo grupo RLi é um espaço feminista) quando faz besteira.

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